“A Economia Popular Solidária é uma oportunidade de garantir trabalho erenda aos trabalhadores a partir da exposição e comercialização de seus produtos em feiras livres. Nosso papel é fomentar esses espaços, apoiar as iniciativas e assegurar a sustentabilidade e a inclusão social e produtiva dos pequenos empreendedores no estado”, afirmou a secretária de Estado Adjunta de Trabalho e Desenvolvimento Social, Karla França, na abertura (4) do “1º Encontro Mineiro de Economia Popular Solidária - Diálogos para favorecer a Democracia, a Rede de Cooperação e o Desenvolvimento Social”, no hotel San Diego, em Belo Horizonte.

O encontro vai até sexta-feira (6) e nesses três dias, gestores e empreendedores discutem as possibilidades e desafios de inclusão socioprodutiva em Minas, as formas de organização, a democracia participativa, o fortalecimento do controle social e a gestão municipal da EPS.

Na opinião do deputado estadual André Quintão, as perdas sociais, provocadas pelo governo federal nos últimos dois anos, redimensionaram a importância da Economia Popular Solidária (EPS) no Brasil, e em Minas Gerais, como estratégia de estímulo ao comercio de pequenos produtores.

O parlamentar explicou que acompanha a Economia Solidária desde 1990 e que ela vem conseguindo resistir e aproveitar os espaços mesmo com as desconstruções das políticas sociais que vem ocorrendo a partir da Emenda 95 do governo federal, que não enxerga os setores excluídos do país como prioritários. “Temos que ter capacidade e nos unirmos às outras lutas, pois em 20 anos, a emenda vai zerar o recursos da política pública de assistência social”.
 
Presente em 17 territórios de desenvolvimento de Minas

O Programa de Consolidação da Economia Popular Solidária, ação voltada à melhoria da qualidade de vida de pequenos empreendedores, está presente nos 17 territórios de desenvolvimento de Minas, nas 21 regionais, pela Sedese, a partir do Plano Estadual de Desenvolvimento da Economia Popular Solidária em 2015, para promover a estruturação e a ampliação dos empreendimentos econômicos solidários.

“Cerca de 4. 2 mil empreendedores tem participação direita no programa em Minas Gerais, totalizando 126 municípios e 849 empreendimentos”, explica Karla França. Outra ação para a expansão do setor foi a criação, em 2016, pela Sedese, da Superintendência de Políticas de Empreendedorismo e Economia Popular Solidária para fortalecer a rede de cooperação por meio da criação de espaços de comercialização para os empreendimentos solidários.

Associação Chico Fulô produz doces, licores e geléias

Estas ações vêm ajudando e muito, moradores do Norte de Minas. É o que conta Wellington Luiz Santos de Buritizeiro, a 300 km de Belo Horizonte. Ele participa do empreendimento Chico Fulô, associação com mais de 80 famílias que atuam na produção de licor, doce e geléia de pequi, buriti, panã, cagartá e mangaba, frutos da região. Ele conta que foi por meio das ações do programa que foi possível organizar as famílias para montar a associação e gerar renda. “O apoio se dá nos espaços para a venda dos produtos”, comemora.

Para Rita Lourença da Fonseca, de Claro das Poções, que produz, com mais 10 moradores, remédios fitoterápicos, a iniciativa do Governo de Minas permitiu a divulgação da produção em outras cidades. “Participamos de várias feiras regionais e o mais importante que acho é a solidariedade no grupo. O resultado das vendas é sempre compartilhado”, explica.

Outro detalhe importante da política pública é resgatar a cultura local e fortalecer o desenvolvimento econômico local. Em Teófilo Otoni, a prefeitura implantou a Secretaria de Economia Solidária, Trabalho, Emprego e Renda em 2017, devido ao grande número de empreendimentos e à cultura de agricultura familiar. “Aqui ainda existe a transferência do ofício do pai para filho. Por isso, a arte do artesanato sobrevive”, conta o secretário Municipal Jonas Boaventura. “Estamos recebendo visitas de representantes de outros municípios para conhecer o projeto”, completa.

De Juiz de Fora, zona da Mata mineira, a coordenadora Regional da Economia Solidária, Eliza Chaves, acha muito importante a realização do primeiro encontro do EPS na atual crise do país. ”O encontro fortalece mais ainda o movimento dos trabalhadores para discutir o momento e buscar soluções para o enfrentamento da crise”. Segundo ela, existem 70 empreendedores em Juiz de Fora e na Zona da Mata. “São mais de 600 famílias beneficiadas direta e indiretamente com a Economia Popular Solidária”, informa.