Difundir conhecimento, fomentar debates e propor soluções para o aproveitamento das políticas públicas voltadas para o enfrentamento da pobreza no campo em Minas Gerais são os  objetivos do seminário “Desafios das Políticas Públicas de Enfrentamento da Pobreza no Campo”, que acontece hoje (22), na Fundação João Pinheiro, no campus Pampulha, em Belo Horizonte.

Participam do encontro membros do grupo coordenador da Estratégia de Enfretamento da Pobreza no Campo - Novos Encontros, conduzido pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) e pela Fundação João Pinheiro, instituições ligadas à estratégia, além de acadêmicos com expertise nesta temática.

Para subsidiar a realização dos debates nos grupos de trabalhos, o demógrafo e pesquisador da Fundação João Pinheiro, Douglas Sathler, apresentou, durante a manhã, o Diagnóstico Multidimensional da Pobreza Rural dos Territórios de Desenvolvimento do Vale do Rio Doce, Norte, Vale do Mucuri, Alto Jequitinhonha e Médio e Baixo Jequitinhonha. O estudo destaca os principais desafios nos territórios, apontando as políticas públicas que já existem, como  dialogam com a realidade e quais lacunas devem ser preenchidas.
 
“A pobreza é multidimensional não só em suas múltiplas variáveis que envolvem o fenômeno, mas também na esfera de vida, pois abrange uma série de características e capacidades do indivíduo que precisam ser transformadas. Caso contrário, ele não sairá daquela situação”, afirmou Douglas.
 
De acordo com o pesquisador, aspectos prioritários como saúde, educação, saneamento básico, demografia e segurança alimentar foram levados em conta na construção do diagnóstico, para que pudessem ser analisados e, assim, identificadas as falhas de atuação, para serem feitas correções.

Desafios

Dentre os principais aspectos destaca-se a educação, uma vez que, de acordo com o pesquisador, a não universalização do ensino médio, as altas taxas de analfabetismo nessas localidades, a necessidade da ampliação do atendimento às crianças de quatro a cinco anos, além da falta de ensino técnico e profissionalizante para os jovens, são pontos importantes a serem considerados na discussão da pobreza.

Nesse sentido, Douglas aponta as ações a serem priorizadas nesses territórios:  “a ampliação das escolas agrícolas, o fortalecimento das políticas de apoio aos cursos de licenciatura e educação no campo, a expansão da educação direcionada às crianças de quatro a cinco anos e da escola de tempo integral, assim como a valorização da condição do docente”.

As necessidades de saúde estão relacionadas, entre outras coisas, com as deficiências de saneamento básico, que sofre com uma carência de infraestrutura, e ao acesso da população feminina e infantil às políticas preventivas de saúde, problemas também apontados no diagnóstico.

“A pobreza é resistente e para ser quebrada precisa de um determinado esforço. Muitas variáveis, que já pegam o indivíduo desde os quatro ou cinco anos de idade, mostram que se não houver uma mudança, essa inércia da pobreza continua, porque ela já construída desde o início e isso tem que ser rompido, esse é o nosso desafio”, afirma o pesquisador, que ainda completa: “Se nós não trouxermos a população para o nosso lado e mostrarmos que existe um problema que deve ser combatido em conjunto, dificilmente teremos iniciativas que serão perpetuadas em longo prazo”.